quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Uma festa em tons de verde: os 22 anos da “Buí”

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Quem está de volta hoje é a Raquel Rocha, que já virou figurinha fácil aqui no blog! Ela vai compartilhar com a gente algumas imagens da festa de aniversário da sua filha, além de dicas sobre decoração e receitinhas!

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Que coisa deliciosa é ser convidada pela Katia Bonfadini e poder compartilhar com os amigos do blog as festas caseiras que faço, pois estou sempre inventando moda pra alguém da família... hehehe!

Dessa vez vou mostrar a festa da minha filha Maria Luiza, mais conhecida como Buí. Ela é festeira, aniversário para ela é uma coisa MUITO especial e ela ainda é minha ajudante nos eventos. Por isso, resolvi comemorar seus 22 anos com um evento familiar decorado com muito amor.

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Usei tons de verde porque ela é palmeirense fanática e queria essa cor. Compramos dois tons de tecido para serem usados como caminho de mesa. Para o painel, confeccionamos duas caixas com as iniciais M L e a Buí fez flores de papel crepom que foram coladas nelas.

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Eu confeccionei tags para o cardápio, para as comidinhas e para agradecimento. Fiz mini-pompons de tule e mini-bolinhas de tecido para decorar os cupcakes, além de totens com os símbolos @ e # para deixar a festa mais descontraída!

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Os mini-churros e os cupcakes foram feitos pela Maria Luiza e, não é pra me gabar, mas ela faz doce divinamente!

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Para decorar as pilastras do salão de festa pendurei vidros com flores e fitas de cetim.

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Minha mãe trouxe água mineral de Caxambu e aromatizei com rodelas de limão siciliano, ficou muito refrescante!!

Minha irmã Mirian ficou responsável por fazer a salada tropical, os cremes (bacon, camarão e frango) e também as mini-quiches de alho poró. Estava tudo uma delícia, ela tem um tempero todo especial!

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E Suzana, minha outra Irmã, trouxe os conchigliones que foram feitos por sua sogra, Lelé (essa é outra cozinheira de mão cheia). Eita... essa minha família trabalha unida...hehehehe. Foi servido verrine com conchiglione de queijo ao molho pomodoro e risoto de gorgonzola com lascas de salmão e raspas de limão siciliano.

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Na mesa dos convidados servi caponata de berinjela e coloquei em um prato de azeite para os convidados mergulharem o pão italiano que estava embrulhado em papel de seda (vi isso no Eataly em New York e achei criativo!!)

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Fizemos brigadeiro gourmet nos sabores tradicional, amargo, limão siciliano e amêndoas.

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Entregamos os brigadeiros como lembrança em uma caixinha prata decorada com fita marrom e verde, além de um cartão de agradecimento.

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Como servimos muitas coisas deliciosas, vou compartilhar algumas receitas para quem, como eu, gosta de por a mão na massa!

Quase tudo foi feito por nós, mas como ninguém é de ferro...rsrs... o canudinho foi comprado no Mercado Municipal de São José dos Campos-SP. A casquinha mil folhas e o vol-au-vent são da Arosa.

 

Risoto de gorgonzola com lascas de salmão e raspas de limão siciliano

Amo risoto e sempre faço, mas para um aniversário e com tantas outras coisas a fazer... resolvi fazer de panela de pressão. Os chefs que me perdoem, mas ficou excepcional e não deixou a desejar em nada ao método tradicional.

Ingredientes:

  • 1 kg de arroz para risoto
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • Uma taça de vinho branco seco
  • 250 gr de queijo gorgonzola
  • 2 colheres de sopa de limão siciliano ralado

Modo de preparo:

Separe um pedaço pequeno de salmão para ferver com a água, tempere o restante e prepare em uma frigideira para acrescentar no final da receita. Esquente dois litros de água com cebola espetada com cravo, grãos de pimenta, rodelas de limão siciliano e um pedaço de salmão. Em uma panela coloque o azeite e 1 colher de manteiga, acrescente o arroz até dourar um pouco, coloque o vinho e deixe secar. Acrescente a água aromatizada (sem os ingredientes, mas eu coloquei o pedaço de salmão pra cozinhar junto na pressão). Tampe a panela e esperar ferver, conte 3 minutos, desligue o fogo e tire a pressão. Para finalizar, acrescente o salmão em lascas (que já foi preparado em outra panela), o queijo gorgonzola, o restante da manteiga e as raspas de limão siciliano.

Obs.: O pedaço de salmão que coloquei na pressão fica inteiro é só mexer que ele desfia.

 

Salada tropical

Ingredientes:

  • 1 frango defumado desfiado e sem a pele
  • 1 lata de abacaxi bem picadinho (deixar escorrer bem em uma peneira)
  • 1 lata de milho verde
  • 150 gr de uva-passa
  • 150 gr de presunto picadinho (não usei)
  • 150 gr de muçarela picadinha
  • 1 lata de ervilha
  • creme de leite (caixinha)
  • maionese (usei um vidro pequeno)

Modo de preparo:

Misture tudo, tempere a gosto e coloque a salada dentro de canudinhos.

 

Cestinha crocante com creme de frango

Ingredientes:

  • Massa de pastel (comprada em supermercado)
  • 2 peitos de frango cozidos e desfiados
  • 2 batatas médias cozidas com tempero
  • 1/2 lata de milho verde
  • 1/2 vidro de azeitonas picadas
  • 2 caixinhas de creme de leite

Modo de preparo:

Bata o milho com as azeitonas no mix ou liquidificador e misture ao frango já desfiado. Amasse as batatas com uma caixinha de creme de leite e acrescente na mistura anterior. Prove o sal e acrescente mais creme de leite, conforme a necessidade. Corte a massa de pastel em quadrados médios, modele na forminha de empada, faça alguns furinhos com garfo e leve ao forno para dourar. Recheie e, se quiser, leve ao forno novamente. Usei maçarico culinário para finalizar.

Katia querida, um enorme beijo, obrigada por dividir seu cantinho comigo.

Raquel Rocha

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Raquel, sou eu que agradeço por me permitir compartilhar aqui as imagens de mais uma linda festa organizada por você! Assim que vi as primeiras fotos no seu perfil do Facebook, não resisti e te fiz esse convite. Gosto muito do seu estilo, da sua preocupação com os detalhes, capricho e sensibilidade. A decoração em tons de verde ficou super elegante, criativa e diferente. E as comidinhas? Salivei em frente ao computador! Que família talentosa!

Seja sempre muito bem-vinda nesse cantinho e volte sempre que der vontade! Fico feliz em aprender com as suas ideias e dicas. E obrigadíssima também pelas receitas, todas muito promissoras!

Um grande beijo pra todos com votos de um dia saboroso!!!! 

Bonfa-ass

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Resumão das férias na Índia – Parte 5: Varanasi

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As ghats: escadarias típicas de Varanasi

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Barquinhos colorindo o rio Ganges

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Cenas do cotidiano

O trem de Khajuraho para Varanasi atrasou mais de duas horas. Saímos da estação em direção a um guichê de tuk-tuks pré-pagos, um dos bons conselhos que recebemos. É altamente recomendável fechar o preço antes e manter seu comprovante de pagamento até o final da corrida, entregando o papel ao motorista somente depois que ele te deixar no local combinado.

Mesmo nos garantindo dessa maneira, junto do nosso motorista havia outro cara e sentimos um cheirinho de armadilha no ar. Não deu outra, como vocês podem conferir no relato do Marcelo:

“Primeiro o cara veio com uma historinha de que era melhor eu ficar no hotel tal, que tinha isso e aquilo. Falei que não, que tinha reserva já paga. Ele então parou num ponto e falou que o resto teríamos de ir a pé com ele até o hotel. Essa era a informação que eu tinha, de que os tuk-tuks não chegam até o hotel. Só que eu tinha informação de que meu hotel tinha vista para o rio, e ali não tinha rio algum. Estranho. O cara falou que me acompanharia até o hotel, que era para um ir e outro (a Katia) ficar no tuk-tuk esperando. Até parece! Fomos os dois seguindo o motorista pelas ruelas. Quando chegamos no que ele disse que era o hotel, vimos que era tentativa de armadilha. Era claro que não era aquele. Ainda tentaram jogar outras armadilhas manjadas (“Ganges View is busy!”). Recusei todas e falei para ele nos levar ao Assi Ghat, que era onde ficava nosso hotel”.

Pra vocês verem, mesmo tendo combinado o preço e fornecido o endereço certinho do hotel que havíamos reservado, o cara tentou nos convencer a trocar de hotel pra ficar no que ele estava recomendando a fim de ganhar uma comissão. Quando recusamos, ele disse que o nosso hotel estava cheio e que não havia mais quartos disponíveis. Como ele podia saber disso? Depois ainda tentou nos deixar em frente a um hotel com outro nome, mas nos recusamos a descer. Finalmente, o Marcelo teve a ideia de pedir que ele nos deixasse no Assi Ghat, a referência que tínhamos, e assim chegamos ao local desejado. Foi uma experiência irritante e desagradável. Saí do tuk-tuk bem chateada, caminhamos um pouco e logo encontramos o hotel.

Taí um bom exemplo do motivo pelo qual recomenda-se só entregar o recibo para o motorista quando você chegar ao seu destino. Ele precisa levar esse papel de volta ao guichê para receber o valor da corrida. Se você entregar antes, corre o risco de ficar no meio do caminho. Infelizmente, na Índia nosso desconfiômetro precisava estar sempre ligado. Antes de viajar, lemos todas as armadilhas para turistas listadas no guia LONELY PLANET, entre outras fontes de informação. Gente, tem tanta malandragem na Índia que cada capítulo do livro possuía um box com uma lista das picaretagens mais comuns. Eu lia todas, é claro! Num dos exemplos, justamente em Varanasi, o alerta era sobre os motoristas de tuk-tuk que tentam te levar ao hotel errado, dizendo que o hotel que você reservou pegou fogo na noite anterior. Não foi muito diferente do que aconteceu com a gente. É surreal, mas é sério! Os caras são extremamente criativos e mentem descaradamente. Fica aqui a dica!

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Localizada às margens do rio Ganges, Varanasi tem mais de 3 milhões de habitantes e é uma das cidades mais antigas do mundo continuamente povoadas, adorada pelos indianos por ser o local mais sagrado do hinduísmo. Muitos consideram que a cidade representa a Índia em estado bruto, onde todas as mazelas do país aparecem superlativadas. É também o lugar no qual a religiosidade é expressa da forma mais profunda e mística, tanto que vários indianos acreditam que quem morre em Varanasi não precisa mais reencarnar.

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Um dos desejos mais íntimos de um hindu tradicional consiste em passar os seus últimos dias de vida num ashram em Varanasi, entoando cânticos, arrependendo-se dos seus pecados e, finalmente, sendo cremado na praça pública desta cidade sagrada, culminando todo o ritual com o atirar das suas cinzas ao Ganges*.

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Deixamos a bagagem no hotel e comemos alguma coisa num restaurante próximo antes de começar a passear pelas ghats da cidade velha, essas escadarias íngremes que desembocam no rio e que representam a alma da cidade. São quase 100 no total.

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Cada uma dessas escadarias possui um significado e muitos dos prédios antigos que as marginam pertenceram a famílias tradicionais indianas. A vida pública da cidade acontece nas ghats, onde vimos indianos rezando, praticando ioga, lavando roupa, tomando banho e escovando os dentes, entre outras atividades.

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Além das vacas, vimos muitos búfalos em Varanasi. Alguns caminhavam tranquilamente pelas ghats, enquanto outros se refrescavam no rio e eram lavados por seus donos. As vacas estavam mesmo em todos os lugares, inclusive na varanda de um apartamento!!!! Não sei como o bichinho foi parar lá, rs! Também avistamos muitos macacos, mas eles preferiam ficar nas partes mais altas, pulando de um prédio para o outro.

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As estátuas de divindades indianas podem ser vistas em diversos pontos da cidade, como no pequeno templo da foto acima.

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Há vários prédios antigos dotados de fachadas imponentes com rebuscados elementos decorativos margeando o rio, mas infelizmente seu estado de conservação é muito ruim.

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Os indianos de Varanasi fazem diariamente uma cerimônia em homenagem ao rio Ganges, conhecida como Ganga Aarti.  O evento acontece pouco depois do pôr-do-sol, por volta das sete horas da noite, na ghat Dasaswamedh.

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Chegamos à ghat no final da tarde e tivemos a oportunidade de ver o início dos preparativos para a cerimônia daquele dia.

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Encontramos um bom lugar ao lado da escadaria principal e lá ficamos para assistir ao evento.

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Aos poucos, o pessoal começou a chegar e procurar um lugar na escadaria principal.

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Do nosso “camarote” podíamos observar a movimentação e avistamos um casal de noivos entre os fiéis. Aproveitamos a oportunidade para registrar seus belos trajes. Mais tarde, no restaurante onde jantamos, o garçom nos contou que estávamos na alta temporada de casamentos em Varanasi

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Os turistas assistem à cerimônia sentados nas escadarias ou dentro de barcos, que podem ser particulares ou coletivos. A maioria dos indianos parece preferir os barcos coletivos, bem mais baratos; enquanto os estrangeiros normalmente alugam um barco só pra eles.

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Para os indianos, é o momento de agradecer ao rio sagrado. O evento tem duração de uma hora, aproximadamente, e o belo espetáculo inclui mantras, músicas, danças, fogo, fumaça, incenso, flores e muita espiritualidade.

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Os fiéis lançam várias velas ao rio, o qual acreditam que desaguou diretamente do céu para a Terra como um presente divino.

Depois da cerimônia, voltamos caminhando para o hotel. O trajeto era longo e pouco iluminado, mas parecia tranquilo. Durante o percurso, algumas figuras obscuras nos ofereceram drogas, principalmente o haxixe. O álcool é estritamente proibido nas proximidades do rio e é por isso que as grandes redes de hotelaria ficam em outra parte da cidade. Alguns restaurantes oferecem um cardápio 100% vegetariano e isso significa que a comida não leva nem alho e cebola, alimentos proibidos pelos jainistas.

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No dia seguinte, acordamos por volta das quatro horas da manhã para poder ver o nascer do sol dentro de um barco. É um programa imperdível em Varanasi! Nosso barqueiro era muito simpático, falava pouco e nos cobrou um preço justo.

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A poluição da cidade faz com que o sol apareça bem definido e redondinho no horizonte. Acho que isso favore os registros desse belo espetáculo natural.

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As luzes noturnas ainda estavam acesas quando começamos a fazer o passeio.

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O barqueiro remava lentamente e ia nos contando um pouco da história da cidade e do cotidiano de seus habitantes, enquanto apreciávamos a paisagem.

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Foi interessante ver de outro ângulo os lugares por onde passamos no dia anterior. E também foi muito mais tranquilo porque não havia vendedores, guias ou gurus nos assediando.

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Algumas construções antigas são muito bonitas, mas como mencionei anteriormente, estão desgastadas e mal conservadas. É uma pena!

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A rotina começa bem cedo em Varanasi e, por volta das cinco horas da manhã, as ghats já estavam cheias de gente fazendo oferendas, rezando, meditando ou simplesmente aproveitando a temperatura ainda amena para tomar um banho de rio.

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A cidade, que já exibe uma profusão de cores naturalmente, fica ainda mais colorida quando os barcos começam a circular pelo rio e as mulheres se aproximam das ghats com seus saris exuberantes.

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A movimentação é maior perto da ghat Dasaswamedh, o mesmo local onde acontece a cerimônia noturna.

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A ghat Manikarnika fica ali do lado, é o principal crematório de Varanasi e funciona ininterruptamente 24 horas por dia. A qualquer momento é possível ver corpos sendo cremados em fogueiras a céu aberto, envoltos em tecidos coloridos. Em seguida, as cinzas são jogadas no Ganges. Os funerais não podem ser fotografados em respeito às famílias dos mortos e burlar essa regra é considerada uma grande falta de respeito. Por esse motivo, não fizemos registros dessa ghat ou de outras que tinham a mesma finalidade.

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Algumas famílias não têm dinheiro para pagar a cremação e, sendo assim, muitas vezes os parentes atiram os corpos dos defuntos diretamente no rio ou nas fogueiras já acesas. Nem sempre os cadáveres são queimados por completo e por isso é possível avistar membros boiando no rio, imagem que choca alguns visitantes. Felizmente, tivemos a sorte de não presenciar essa cena.

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Grupo entoando cânticos em homenagem ao Ganges

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De dentro do barco, pudemos observar sem pressa o cotidiano da cidade e fotografar alguns indianos seguindo sua rotina. Vimos de tudo um pouco: fiéis fazendo orações, pessoas meditando, outras tomando banho, crianças brincando, mulheres lavando roupa etc., conforme vocês podem conferir nas imagens a seguir.

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Pelos relatos que li, acho que o que mais choca os visitantes é a questão da falta de higiene. No meu caso, fiquei incomodada ao ver as pessoas bebendo aquela água imunda, outras escovando os dentes e lavando suas roupas naquele esgotão. Aliás, o esgoto sem tratamento desemboca diretamente no rio e assim suas águas são misturadas a fezes, comida podre, restos de corpos de pessoas e animais em decomposição etc. Sei que é uma questão cultural, mas as cenas não deixam de ser perturbadoras aos nossos olhos ocidentais.

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Depois do passeio de barco, voltamos ao hotel para tomar o café da manhã e seguimos para mais uma longa caminhada pelas ghats, indo até a última que nos pareceu razoavelmente movimentada (Panchganga).

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O tempo estava esquentando e durante o percurso precisamos dizer vários “nãos” a vendedores sem noção, barqueiros e garotos que se diziam estudantes, mas que ao final da conversa se revelavam guias ou donos de loja. Pra mim, Varanasi foi o auge da “encheção de saco” na Índia. Não podíamos caminhar 10 metros sem que alguém se aproximasse tentando insistentemente nos vender alguma coisa. Há poucos estrangeiros visitando o país no verão e por isso viramos um para-raios. Foi cansativo, desgastante e senti que o assédio constante drenava a minha energia.

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A imagem acima foi o flagrante da tentativa de tirar uma foto tranquilamente, quando fui interrompida por uma vendedora.

Num desses episódios desagradáveis, um garoto esperto e com inglês fluente tentou nos vender uma vela para oferecer ao Ganges. O “precinho camarada” equivalia a 40 reais!!!! Nós não estávamos interessados em comprar nada e recusamos a oferta do início ao fim, mesmo ele tendo baixado o preço para 40 centavos. Quando percebeu que sua insistência não ia dar em nada, o garoto rogou uma praga pro Marcelo: “Má sorte pra você, pra sua família, pros seus amigos e que você morra!”. Detalhe: em nenhum momento fomos grosseiros, pelo contrário. Recusamos as ofertas com um sorriso no rosto o tempo inteiro. Foi uma pena porque o garoto tinha muito potencial, infelizmente lapidado na escola da malandragem.

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Passada a chateação, seguimos nosso caminho e aproveitamos para registrar algumas curiosidades, como os banheiros públicos da foto acima. O feminino era protegido e decorado com pinturas, enquanto o masculino era ao ar livre!

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Havia várias ilustrações enfeitando os muros da cidade velha e, conforme ouvimos de um indiano, a maioria tinha sido feita por estrangeiros em visita a Varanasi.

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Esses presentes dos gringos convivem lado a lado com as imagens dos deuses indianos e outros seres místicos.

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Continuamos nossa caminhada pelas ruelas estreitas da cidade velha, onde disputamos o espaço com vacas e motoqueiros. Foi lá que consegui comprar três lenços e um cabideiro com desenhos de elefantinhos que mostrei NESSE POST. Felizmente as lojas tinham preços fixos e não houve insistência por parte dos vendedores. Um verdadeiro oásis de tranquilidade que eu não esperava encontrar na cidade! E aí sim, abri a carteira com satisfação.

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Paramos no badalado BLUE LASSI SHOP, recomendado pelo guia LONELY PLANET. A bebida/sobremesa feita com iogurte e frutas frescas é muito saborosa e cuidadosamente preparada, o que faz com que o atendimento seja lento.

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A guloseima farta chegou dentro de um pote de cerâmica e, enquanto esperávamos, o dono da loja conversou conosco e mostrou um painel cheio de assinaturas, bilhetinhos, desenhos e fotos de estrangeiros que passaram por lá.

Não entramos no templo que fica ali perto porque havia uma fila enorme. No pico do calor de 45 graus, lá pelo meio-dia, fomos para Manikarnika, o crematório principal. Era mais uma tentativa de observarmos o ritual de dentro da própria ghat sem sermos incomodados. Deu certo, a alta temperatura espantou os vendedores. Os corpos chegavam cobertos, eram banhados no rio e levados à fogueira. Depois de observar em paz e durante o tempo que quisemos, retornamos ao hotel e tiramos uma soneca. Acordamos no meio da tarde e fomos tomar chá no terraço do hotel com vista para o Ganges.

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No fim da tarde, voltamos às ghats principais e quando bateu a fome, fomos procurar um restaurante recomendado, o KESHARI, que fica nas ruelas da cidade velha. Existe o original e o plágio descarado, que fica lá perto. Fomos no original, descrito como “podrão indiano” com boa comida a um bom preço. Pedimos um veg thali, como de costume, e saboreamos mais uma refeição vegetariana deliciosa… ai, que saudades!!!!

Na volta ao hotel, descobrimos que a AIR INDIA havia cancelado o nosso voo e teríamos que fazer outra reserva para o próximo destino: Katmandu, no Nepal. Foi um balde de água fria que se revelou uma benção porque eu estava doida pra partir de Varanasi! Não me interpretem mal, eu gostei da experiência de observar o cotidiano de uma cidade tão importante para os indianos e o estilo de vida de seus moradores, o que é culturalmente interessantíssimo. Mas a cidade em si não me cativou. Seria diferente se tivéssemos a intenção de ficar num ashram ou fazer algum curso, mas não foi o caso. Resolvemos a situação reservando um voo mais cedo que faria conexão em Delhi. Perfeito, menos uma noite e menos uma diária em Varanasi. Pra completar meu pensamento, li opiniões divergentes sobre a quantidade de tempo recomendada para ficar em Varanasi. Na minha visão, acho que um dia é suficiente, mas o nascer do sol e a cerimônia Ganga Aarti são imperdíveis e não é à toa que constituem as principais atrações locais. Então talvez seja melhor pernoitar na cidade, acordar cedo para passear de barco, assistir ao evento à noite, pernoitar novamente e depois seguir viagem.

Resolvido o problema, no dia seguinte tomamos o café da manhã, fizemos o check-out e fomos procurar um jeito de conhecer Sarnath, o local onde Buda proferiu seus primeiros sermões sobre o darma.

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Passamos primeiro no templo budista Mulagandha Kuti Vihara, que possui belas pinturas em seu interior.

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Estupa Dhamek

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Ruínas de Sarnath

Em seguida, visitamos a atração principal de Sarnath, que é a estupa Dhamek e as ruínas de um monastério. A estupa tem 34 metros e toda a área de visitação é muito organizada e limpa.

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Turistas indianos simpáticos que conhecemos em Sarnath

No começo da tarde, partimos para o aeroporto. Como de costume, houve várias checagens antes do embarque. Até para entrar no aeroporto você precisa mostrar o passaporte e a passagem. Dormimos em Delhi e acordamos no meio da madrugada para embarcar num voo rumo ao Nepal.

Um grande beijo pra todos com votos de uma semana animada!!!!

*Fontes:
http://www.mochileiros.com/india-e-nepal-20-dias-t99794-15.html#p989803
http://www.aproximaviagem.pt/n8/10_varanasi.html
http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/india-varanasi
http://www.360meridianos.com/2012/04/varanasi-cidade-sagrada-india.html 

Bonfa-ass

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